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RTP estreia série sobre problemas da juventude
Depois do sucesso de
"Riscos", um retrato actual e fidedigno dos problemas que afligem
os adolescentes do nosso tempo, a Radiotelevisão Portuguesa prepara-se
para estrear uma nova série sobre a juventude, desta vez, abordando as
dificuldades da vida dos jovens portugueses dos 20 aos 30 anos.
"É um sucesso garantido," afirmou o holandês Jan van
Oysterberg, o responsável máximo da Wij zijn nederlands en het
maakt ons geen flikker uit dat we jullie slechte tv shows blijven verkopen*
Produçoes de Portugal, a produtora da série "20 Mais".
O ponto de partida da história é simples. Um grupo de cinco amigos
com mais de 20 anos e um cão com mais de 4 vivem uma série de
peripécias comuns a qualquer jovem (ou cão) dessa idade.
São eles: João-27 anos-arquitecto; Mafalda-25 anos-física
nuclear; Pedro-20 anos-administrador delegado de uma multinacional de produtos
informáticos; Luísa-26 anos-presidente vitalícia de um
pequeno país dos Balcãs; Jorge-23 anos-desempregado e Rex-6 anos-cão
de guarda.
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"Este projectzo vai permitir exterioridzar também um pouco da nossa vivência de jovens nestza idadze", considera Ana Rocha, uma jovem e bem sucedida actriz que o público português já conhece de trabalhos como "Riscos", "Os 10 Mandamentos" e "Ben-Hur", fazendo neste último filme o papel de escrava judia com maneira de falar irritante. A respeito da sua personagem, Mafalda, Ana Rocha considera que "Ouçam lá, aquilzo do Ben-Hur era a gozar com o meu defeitzo da fala?" |
"Não se trata de uma série juvenil. Os personagens já
têm uma experiência de vida considerável, já trabalharam,
já tiveram várias relações e até já
experimentaram drogas e passaram o fim-de-semana sozinhos sem os pais,"
de acordo com a produtora responsável pelo projecto, Natália Andreotti.
Como acontece com qualquer jovem hoje em dia, os protagonistas de "20 Mais"
partilham uns com os outros os pormenores mais íntimos das suas vidas
afectivo-sexuais e não ocultam as preferências que têm nesse
campo. Assim, João e Mafalda são heterossexuais e nutrem uma paixão
secreta um pelo outro (que todos conhecem menos o destinatário da paixão),
Pedro é homossexual (mas não muito convicto), Luísa é
necrófila, Jorge é zoófilo e Rex é pastor alemão.
O actor Júlio Wallenstein, que não tem qualquer parentesco com
José Wallenstein, desempenhará o papel de Rex e considera que
"é um desafio mas qualquer actor empenhado gosta de desafios."
Segundo nos confidenciou, não é o facto de ir fazer de cão
que mais o melindra. A verdadeira dificuldade estará nas tórridas
cenas de sexo com Diogo Wallenstein (que também não tem qualquer
parentesco com o acima referido José Wallenstein), o actor que interpreta
o papel de Jorge.
O segredo do sucesso desta série estará, na opinião da
realizadora Sandra Wallenstein (prima direita do actor José Wallenstein)
"no realismo das situações vividas pelos personagens em cada
episódio, o que permitirá ao espectador identificar-se com este
ou aquele pormenor da história."
Não querendo adiantar muito, a Inépcia levanta a ponta do véu
sobre este êxito garantido da televisão portuguesa. João
e Mafalda vêem o seu relacionamento dificultado pelo facto de, com o pôr-do-Sol,
João se transformar no super-herói conhecido como Capitão
Maravilha e Mafalda, na sua arqui-inimiga, Madame Borrasca, o que criará
alguma tensão entre os dois.
Pedro, num dos episódios ainda em produção, descobrirá
que o seu verdadeiro pai é o imperador do Japão e ver-se-á
dividido entre os amigos e a sucessão ao trono do Império do Sol
Nascente.
Luísa morrerá a meio da série e reencarnará como
vaso de manjericos no episódio especial de Santo António. O resto
do grupo só descobrirá que é ela ao ler a quadra: "Ó
meu rico Santo António, Meu santinho deslavado, Eu não queria
ser osga, Para não levar o rabo cortado."
Rex e Jorge descobrirão da maneira mais difícil como a sociedade
é avessa a relações amorosas alternativas quando o banco
lhes nega o empréstimo para comprarem uma casota a meias. Para além
disto, existirão muitas peripécias envolvendo drogas e sexo, muito
sexo para prender a atenção do espectador.
Alguns críticos já apontaram o facto de "20 Mais" ser
apenas uma versão da série "Riscos" para outra faixa
etária mas Natália Andreotti não hesita em negar por completo
este tipo de afirmação. "Não tem nada a ver. É
verdade que ambas as séries são exemplos de programas dirigidos
para faixas etárias específicas mas nesta (20 Mais) vamos poder
incluir cenas de sexo mal encenado, palavrões mais elaborados como o
ocasional 'foda-se' e sketches paralelos à narrativa a armar ao pingarelho."
Ao que parece, as únicas semelhanças entre um projecto e outro
serão os planos enjoativos e a repetição constante de termos
como "gajo" e "epá". De salientar que, nas cenas
de sexo, os actores envolvidos vestirão as últimas novidades da
Abanderado, Triumph e Taberdog (no caso de Rex) porque, como acrescentou a produtora,
"não há razão para sermos assim tão realistas
e isto também não é nenhuma badalhoqueira."
*
"Somos holandeses e estamo-nos pouco borrifando para os programas merdosos
que vos vendemos"