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Jogadores do Porto não queriam ir para a Turquia
Chainho, Alenichev e Ricardo Costa, os três jogadores do FC Porto que o clube pretendia transferir para o Galatasaray da Turquia em troca de Jardel, vieram a público dar conta do seu desagrado com esta transferência. Não se ficando por aí, os futebolistas recusam-se a ser usados como moeda de troca na em qualquer negócio futuro, agora que os portistas desistiram da contratação do brasileiro, e afirmam de maneira veemente que nunca teriam ido para a Turquia, por mais que fossem pressionados pela direcção do clube das Antas.
"Não íamos e acabou-se," afirma Chainho e não se coíbe em apresentar as suas razões: "A Turquia é uma choldra sem jeito nenhum!" Por mais que a direcção portista se esforçasse para o convencer e aos companheiros de que a Turquia é um país moderno, candidato à entrada na União Europeia e perfeitamente ocidentalizado, os jogadores não se deixam convencer. "Já viram algum filme em que a Turquia ou os turcos tivessem boa imagem? Não, pois não? Veja o Expresso da Meia-Noite ou o Lawrence da Arábia, por exemplo," considera Ricardo Costa.
Outro dos motivos que levaram os futebolistas a tomar esta atitude radical prende-se com o futebol que se pratica na Turquia. Apesar de equipas turcas como o Galatasaray, o Fehnerbaçe ou o Besiktas estarem à frente das portuguesas no ranking da UEFA, os jogadores continuam a considerar que o campeonato turco não está à sua altura. "Se o Jardel se veio embora por alguma coisa foi," disse o russo Dimitry Alenichev, um elemento central no trio de jogadores descontentes.
De facto, uma das queixas mais frequentes dos futebolistas estrangeiros que vão jogar para a Turquia é a de que, muitas vezes, nem sequer sabem com quem estão a jogar, dada a complexidade da língua turca e, consequentemente, dos nomes das equipas de futebol. O internacional galês, Adam Jones, que envergou a camisola do Trabzonspor entre 92 e 95, é a vítima mais célebre dessa mesma complexidade onomástica. Em Fevereiro de 1995, Adam Jones foi internado de urgência no hospital de Istanbul ao tentar responder à pergunta de um colega que pretendia saber contra quem seria o próximo jogo. Quando Jones tentou pronunciar o nome do Gençlerbirligi, um clube de Ancara, deslocou o maxilar, rebentou dois vasos sanguíneos do cérebro e mantém-se num estado vegetativo até hoje.
Outros casos semelhantes são referidos com frequência na Europa do futebol. O Gaziantepspor, o Erzurumspor e o Ankaragücü já foram intimados pelo tribunal europeu dos direitos humanos a mudarem de nome sob pena de se submeterem a sanções pesadas. A própria UEFA já há muito deixou de usar os nomes das equipas turcas no sorteio das suas competições, preferindo referir-se-lhe apenas pelas iniciais.
Assim, talvez se compreendam os motivos da apreensão de Chainho, Alenichev e Costa. "O clube pode ter desistido do negócio mas tínhamos de deixar patente a nossa indignação," diz Chainho, imediatamente apoiado pelos colegas. Se o FC Porto tivesse insistido no negócio, os três jogadores barricar-se-iam no balneário da equipa visitante do estádio das Antas e não saíriam até a situação estar resolvida a seu favor.
E porque foram estes os jogadores escolhidos e não outros? Preferência dos turcos? Os próprios têm uma explicação. "É racismo... se eu fosse branco, não me acontecia isto," afirma Chainho. Alenichev contrapõe que, no seu caso, é a xenofobia a culpada, enquanto que Ricardo Costa se prepara para assumir a sua homossexualidade, visto que é português e branco. "Nunca senti que fosse homossexual mas a homofobia é a única explicação," afirma.

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