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Sumários


12 de Abril 2002
Sigamos o cherne (Depois de ver o filme O Mundo do Silêncio, de Jacques-Yves Cousteau)
Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria..."
Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa do passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado
Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa
Alexandre O'Neill,
"No Reino da Dinamarca", 1958
Porque há quem não goste de peixe, porque em Abril, águas mil, porque nem sempre devagar se vai ao longe, a Inépcia prevalecerá.
5 de Agosto 2001
Esfaqueou ex-mulher e saltou do 5º andar
Um indivíduo com cerca de 30 anos saltou ontem do quinto andar de um prédio da Rinchoa, no concelho de Sintra, a poucas dezenas de metros do posto da GNR, depois de momentos antes e a curta distância ter esfaqueado a ex-mulher na via pública. Um e outro sobreviveram e foram hospitalizados, encontrando-se o agressor em risco de vida. De acordo com fonte policial, o indivíduo, de nacionalidade angolana, terá esfaqueado a mulher junto a uma farmácia na Rua das Murtas, na Rinchoa, cerca das 11h00, refugiando-se em seguida no apartamento onde residia há pouco mais de um mês com o filho menor. Contactados pelo CM, familiares e conhecidos do agressor escusaram-se a fazer quaisquer comentários sobre os motivos que conduziram à tentativa de homicídio, limitando-se a descrever o homem como "muito calmo". Ao que o CM apurou, o facto de o agressor ter utilizado uma faca de lâmina fina, que entortou com os golpes, terá evitado que a vítima tivesse sofrido ferimentos mais graves, mesmo tendo sido atingida na cara, nas costas, na cabeça e de ter um braço fracturado. A mulher foi transportada ao Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, e encontrava-se livre de perigo. Para o hospital, mas de São José, em Lisboa, seguiu também, sob detenção e em estado considerado grave, o agressor, que foi operado e que permanecia ontem em perigo de vida. É que, depois de desferir os golpes, o indivíduo percorreu a pé os cerca de 50 metros até ao apartamento, na Rua das Malvas, entrou em casa e, segundo algumas testemunhas, depois de perceber a presença da GNR, decidiu saltar do quinto andar, aterrando nas traseiras do prédio, em cima de uma pequena nespereira.
in Correio da Manhã, 4 de Agosto, 2001
Porque... porque... eu já nem sei o que diga..., a inépcia prevalecerá.
9 de Julho 2001
Há dias, recebemos um e-mail de um leitor indignado que nos acusava de sermos maldosos porque os textos que publicamos, muitas vezes, ridicularizam uma ou outra personagem pública. Trocando por miúdos, acusava-nos de não fazermos "humor" e de sermos maldosos. Dizia ainda que era fácil perceber uma fixação por certos temas... e tem razão. Temos fixações porque temos mau feitio e há coisas que são difíceis de engolir por mais que se fale nisso e é claro que somos maldosos. Algures para aqui, há uma secção chamada "Ódios de estimação." É impossível ser-se mais directo que isto. Quanto à questão do "humor", não o fazemos nem nunca foi nosso objectivo fazê-lo por estas bandas. De tanto ouvir a palavra associada a coisas menos agradáveis, ficámos-lhe com alergia (daí escrevermos a palavra sempre entre aspas para não lidar com ela directamente). E para além disso, os portugueses não nasceram para fazer "humor". Para quem já estiver a protestar ao ler estas linhas, lembrem-se de que Fernando, Carlos, Marina e Guilherme são nomes portugueses. Herman não é.
Porque este calor chateia ainda mais, porque o Campelo vai aprovar mais orçamentos, porque não há maneira de o campeonato começar, a inépcia prevalecerá.