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Inépcias semanais
26 de Novembro
Guterres oferece queijadas ao Dalai Lama
O primeiro-ministro António Guterres mostrou-se indignado com as acusações de que foi alvo, por não ter recebido oficialmente o Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos e, para todos os efeitos, chefe de Estado do Tibete, um país ocupado de modo ilegal pela República Popular da China em 1949. O 14º Dalai Lama deslocou-se a Portugal pela primeira vez sem ser recebido por qualquer um dos orgãos de soberania portugueses, como seria de esperar. Para a opinião pública, este facto estará relacionado com as críticas da representação diplomática chinesa no nosso país que não veria com bons olhos qualquer tipo de reconhecimento oficial dos esforços do Dalai Lama na luta pela libertação do seu povo. O primeiro-ministro não perdeu tempo a desmentir que os orgãos de soberania se tenham deixado intimidar por pressões vindas de Pequim. "O governo português, a Assembleia da República e o Presidente não se deixam intimidar por quaisquer comentários e opiniões vindos de outros países... porquê? Eles ficaram muito chateados?", afirmou um Guterres gaguejante e algo pálido. Para complementar esta posição, o chefe do Governo confessou que não é verdade que não tenha entrado em contacto com o prémio Nobel da paz tibetano. "Mandei-lhe um pacote de queijadas de Sintra pelo correio com um cartão a dizer: Bom proveito," afirma. A Inépcia quis saber se este singelo presente tinha sido enviado pelo primeiro-ministro de Portugal ou pelo cidadão António Guterres e a resposta não podia ter sido mais esclarecedora: "Esqueci-me de pôr o remetente no envelope. Mas foi por esquecimento e não por medo, claro. Com a viagem que fiz para ir pôr a carta no correio em Badajoz acabei por me esquecer." Questionado sobre a aparente contradição entre o modo de encarar a violação dos direitos humanos em Timor-Leste e no Tibete, Guterres considerou que "há direitos humanos e direitos humanos."
Governo copia orçamento de Estado
Apenas dois meses após ter sido apresentada a proposta de orçamento de Estado para o próximo ano e alguns dias após correcção da previsão do deficit orçamental para 2002, o Governo anunciou que vai substituir o orçamento recém-aprovado por uma cópia quase literal do orçamento apresentado pelo governo da república da Finlândia. "Visto que a oposição e a opinião pública parecem estar tão preocupadas com uma ou outra correcção ao orçamento apresentado, achámos que talvez reagissem melhor se substituíssemos o presente orçamento pelo de um país rico e mais desenvolvido que o nosso como é a Finlândia," afirmou o ministro das Finanças, Guilherme de Oliveira Martins, enquanto sorvia o conteúdo de um mexilhão de modo sonoro. Questionado sobre a possibilidade de a adopção do orçamento de Estado de um país com um PIB mais elevado do que o português e, consequentemente, com mais dinheiro para gastar poder vir a trazer problemas para a economia nacional, o ministro é peremptório: "Não há esse problema até porque o orçamento não será exactamente igual (a palavra Finlândia será substituída por Portugal e a cláusula que prevê uma verba para as reservas de renas será suprimida). Para além disso, como a partir de Janeiro, Portugal e a Finlândia vão adoptar o Euro como moeda, todos os valores vêm expressos na unidade monetária correcta e não necessitam de conversões." Quem não parece importar-se com esta medida são os finlandeses. O primeiro-ministro, Paavo Lipponen, mostrou-se orgulhoso por ver o orçamento finlandês ser adoptado por outro país. "Só prova que está muito bem feito," afirmou. Acerca do convite do governo de António Guterres no sentido de haver uma cópia finlandesa de algum item da vida política portuguesa como forma de compensação, Lipponen não hesita: "Estamos a pensar seriamente nomear um ministro das Finanças com cara de gnomo da floresta como o vosso. Como sabem, a mitologia nórdica está repleta de referências a essas criaturas. Acreditamos que o povo se sentiria mais próximo do seu governo assim."
Fatball chega a Portugal
Numa época em que cada vez existem mais versões do futebol, chega a Portugal a mais recente de todas. Trata-se do fatball, uma modalidade inspirada pelo futebol de 11 tradicional e que visa ser praticada apenas por jogadores obesos. A peculiaridade do fatball deve-se ao facto de exigir um conjunto específico de características físicas para a sua prática, o que não sucede nem com o futebol de 11 nem com as variantes mais comuns (futebol de 7, futsal, futebol de praia, futebol society etc). Para se praticar fatball é necessário pesar, pelo menos, 100 kg, de acordo com o regulamento da FIFG (Fédération Internationale de Fatball et Gastronomie). Qualquer entusiasta da modalidade que não cumpra este pré-requisito deverá aumentar o seu peso antes de poder participar em quaisquer jogos. Também as regras são algo diferentes. Cada equipa tem 9 jogadores que disputam uma bola maior e feita de material comestível durante 5 partes de 5 minutos, com um intervalo de 20 minutos entre cada parte para recuperação do fôlego e alimentação. O campo tem 10 metros de comprimento por 8 de largura com uma baliza de dimensões reduzidas em cada extremidade, o que dificulta a marcação de golos visto que o corpo dos guarda-redes bloqueia quase por completo a baliza. De facto, é frequente que os desafios de fatball terminem sem que seja marcado qualquer golo. Nesse caso, o regulamento prevê que a vitória seja atribuída à equipa cujos jogadores tenham aumentado mais o seu peso conjunto, após uma pesagem no princípio e no fim do jogo. Um pormenor pitoresco é a obrigatoriedade de os bancos de suplentes possuírem um microondas, frigorífico, grelhador e um pequeno snack-bar instalado. O primeiro campeonato português de fatball terá início no próximo ano, logo que os últimos pormenores da fundação da FPFA (Federação Portuguesa de Fatball e Acepipes), presidida por Margarida Martins, estejam resolvidos. De entre as equipas já existentes, destacam-se a Pastelaria Fernandes, o Talho Quilo, a Associação Portuguesa de Obesos Felizes, o Balofos FC, o SC Gordalhões e o Futebol Clube Paços de Ferreira. No próximo mês terá lugar em Lisboa um desafio de exibição entre duas equipas de celebridades capitaneadas pelo apresentador de televisão Miguel Dias e por Nicolau Breyner.
19 de Novembro
Pinto da Costa e Belmiro de Azevedo tentam aproximação à Aliança do Norte
O presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, e o empresário Belmiro de Azevedo são os dois nomes que encabeçam a lista de personalidades do norte do país que pretendem entrar em contacto com a Aliança do Norte, a coligação de movimentos políticos e militares afegãos que lutou ao longo dos últimos anos contra o regime dos taliban. "Esta aproximação visa mostrar o apoio da nossa região aos nossos irmãos afegãos. Porque quando se é do norte, é-se do norte aqui ou no Afeganistão," afirmou o patrão da SONAE. Este movimento de solidariedade conta com o apoio de personalidades de todos os sectores desde empresários a artistas plásticos, músicos, actores, políticos e figuras do mundo do desporto incluíndo nomes como os de Fernando Gomes, Paulinho Santos, Rui Reininho, Pedro Abrunhosa, Rosa Mota, João Loureiro e Rui Veloso. "Tive esta ideia quando vi num noticiário da NTV que essa tal Aliança do Norte estava a ter problemas com os mouros do sul lá do país deles," explica Pinto da Costa, o mentor do projecto. "A única diferença entre o caso deles e o nosso é que lá os do norte são tão mouros como os do sul," acrescenta. A primeira acção deste movimento de cidadãos será o envio para Cabul de um carregamento de camisolas do FC Porto e do Boavista e algumas bolas autografadas pelas personalidades envolvidas no movimento.
Disney preocupada com o afluxo de devassos à sua página oficial
A Walt Disney Company, o gigante das comunicações americano, manifestou esta semana a sua preocupação com o facto de a página oficial da empresa (www.disney.com) estar a receber visitas provenientes de páginas com conteúdos pornográficos. A Disney construiu o seu império empresarial graças ao público infantil que ainda hoje constitui o principal alvo das suas atenções, o que torna compreensível a apreensão dos responsáveis pelo grupo. Nos últimos tempos, tornou-se prática comum entre os proprietários de páginas de temática adulta forçarem os visitantes a aceitarem um conjunto de condições antes que lhes seja facultado o acesso, nomeadamente, a declaração de que não se sentirão ofendidos ou chocados pela visualização dos conteúdos e de que têm idade suficiente para os visualizarem. Como alternativa, se as condições impostas não forem aceites, o visitante é reencaminhado para a página da Disney. Com tudo isto, bastará um clique no sítio errado para um pornógrafo confesso ir parar à inocente e colorida página do mundo "maravilhoso" de Walt Disney, o famoso informador do FBI que fundou e deu nome à empresa. "A Walt Disney Company não pode continuar a tolerar esta situação. O público alvo a que a nossa página se destina são as crianças e não podemos permitir que cibernautas infantis e gente depravada convivam no mesmo espaço virtual," disse o administrador do grupo, Michael Eisner, ao mesmo tempo que assinava uma proposta de compra da empresa proprietária da revista Playboy. "Sugerimos que, a partir de agora, os proprietários desse tipo de página substituam os links para a nossa página oficial por links para a página do Cartoon Network ou da Warner Brothers", acrescentou.
Católicos portugueses reagem ao canal Canção Nova
Um grupo de 57 católicos portugueses subscreveu um documento de condenação veemente da orientação do canal cristão Canção Nova, parte da grelha de canais da TV Cabo, por considerar que a linguagem usada pode ser associada a algumas seitas. O canal integra-se no movimento católico homónimo originário do Brasil e sustentado unicamente por donativos dos seus membros, administrando vários orgãos de comunicação social, incluindo o referido canal de televisão. De entre os signatários do documento, destacam-se os nomes de personalidades como Daniel Serrão, Marcelo Rebelo de Sousa e do padre Feytor Pinto que pedem aos bispos portugueses que intervenham no sentido de acabar com o que consideram ser "um penoso retrocesso" para a comunidade católica através de uma programação de "medíocre qualidade técnica" e que apresenta "imagens religiosas e situações de culto que são incompreensíveis e até vexatórias para a grande maioria dos cristãos." A conferência episcopal, organização que reúne todos os bispos do país, já se pronunciou a favor deste movimento espontâneo e aconselhou a direcção do canal a modificar a sua programação. D. José Policarpo, o presidente da conferência episcopal e cardeal-patriarca de Lisboa, manifestou especial preocupação para com a utilização de imagens de Fátima nos programas do Canção Nova. "É preciso muito cuidado para tratar imagens de algo tão sério como um grupo de idosas a arrastar-se pela berma de uma estrada nacional com os pés em sangue com o respeito que merecem," disse e acrescentou num tom didáctico: "É muito difícil criar um canal católico porque, em poucos anos, este pode tornar-se num antro de lixo televisivo." Como comentário a esta situação, o padre Juca Beleleu do movimento Canção Nova disse que "Jesus é o senhor!" enquanto que o seu colega, o padre Wanderley Juventude, compositor de heavy metal católico, acrescentou que "Deus ofereceu o seu filho Jesus Cristo à humanidade para a salvar do pecado e amén!"
12 de Novembro
Daniel Campelo aprova mais um orçamento
O deputado
Daniel "Queijo Limiano" Campelo voltou a estar no centro das atenções
do país ao permitir a aprovação do orçamento geral
do Estado apresentado pelo executivo de António Guterres, pelo segundo
ano consecutivo. Recorde-se que o orçamento anterior também
foi aprovado graças a uma abstenção do então deputado
do CDS-PP, o que lhe valeu uma suspensão do partido. Na altura, Campelo
justificou os seus actos com a defesa dos interesses do povo de Ponte de Lima
que tinha acabado de ver uma das principais empresas da região, a fábrica
do queijo Limiano, ser transferida para os arredores de Lisboa, deixando várias
pessoas no desemprego. Desta vez, indo contra todos os partidos da oposição
e contra a opinião pública, o super-deputado decide, mais uma
vez, colocar o seu talento (a capacidade de se levantar da cadeira quando
ouve a frase: "Quem se abstém?") ao serviço dos fracos
e dos oprimidos. Este ano, os fracos e oprimidos contemplados com as boas
graças de Campelo foram os agricultores. "Estou aqui para exigir
maior investimento público no mundo rural," afirmou. Durante os
próximos anos, enquanto for presidente da câmara de Ponte de
Lima, Daniel Campelo promete repetir a proeza sempre que o seu voto puder
ser usado para colocar o governo entre a espada e a parede forçando
Guterres a aceitar todas as suas exigências. Na votação
deste ano, o primeiro-ministro foi já forçado a incluir à
pressa uma referência ao "mundo rural"no seu discurso como
resultado de uma exigência sua. "A princípio, o combinado
era que o engenheiro ia dizer: Sou o primeiro-ministro mais feio da Europa!
Mas tive pena dele e mudei de ideias," confidenciou-nos. Para as próximas
votações do orçamento, Daniel Campelo pretende usar outras
causas como bandeira. Assim, já no próximo ano, se não
for corrido do parlamento à pedrada entretanto, aprovará o orçamento
em nome dos pandas chineses. No ano seguinte, fá-lo-á em prol
da erosão da arriba da Costa da Caparica e para os dois anos posteriores,
fala-se já na liberalização da pesca com arcabuz e no
aumento dos subsídios para o sindicato dos assaltantes a bancos. Recorde-se
que a estratégia de Campelo já deu frutos no passado como é
facilmente confirmável pelas infraestruturas construídas em
Ponte de Lima como, por exemplo, a piscina olímpica construída
pela Secretaria de Estado do Desporto no quintal das traseiras do deputado/autarca.
Igreja condena festejos de São Martinho
O cardeal patriarca, D. José Policarpo, criticou o modo como o dia de São Martinho foi comemorado na aldeia de Pionés, freguesia de Santa Marta do Campo, concelho de Oliveira do Hospital, e afirmou que "a Igreja não pode assistir impávida à profanação de uma das suas festas de modo tão escabroso." Tudo começou quando a população de Pionés decidiu organizar uma grande festa em honra de São Martinho, o popular santo celebrado no dia 11 de Novembro. Para além da quermesse, do baile e dos jogos tradicionais, a comissão organizadora quis incluir nos festejos um toque de devoção sincera e assim decidiu lembrar, de alguma forma, a vida do santo. E foi precisamente o modo como isto foi feito que desagradou às hierarquias da Igreja Católica. São Martinho, ou Martinho de Tours, foi um oficial do exército romano do séc. IV que se tornou célebre por, num dia de muito frio, ter rasgado a sua capa ao meio para a partilhar com um mendigo esfarrapado. Em memória desse gesto caridoso, a população de Pionés decidiu rasgar completamente as suas próprias roupas e passear-se desse modo, ou seja, como vieram ao mundo, pelas ruas da aldeia em procissão, cantando e dançando e sem ligar às baixas temperaturas características da época. Informado pelo pároco de Pionés, o cardeal patriarca não perdeu tempo a mandar suspender os festejos. "Já estamos a ficar fartos de ver a religião ser usada como desculpa para o deboche," afirmou à Inépcia. "Está bem que existe muita coisa no catolicismo que é passível de várias interpretações, mas parece-me que usar a vida de São Martinho para justificar um desfile pecaminoso de gente nua é demais," acrescentou.
Instituto Manuela Moura Guedes é um sucesso
A popular jornalista e esposa de director de programas da TVI, Manuela Moura Guedes, mostra-se satisfeita com o primeiro ano de actividade do instituto com o seu nome, uma escola fundada para formar profissionais do jornalismo televisivo à sua imagem. "Já formámos mais de 80 jornalistas e 7 pasteleiros só este ano," afirmou. Os objectivos do Instituto Manuela Moura Guedes são claros. Por um lado, formar futuros pivots de noticiário televisivo que se mostrem à vontade no tipo de jornalismo a que Manuela nos habituou: claro, directo, sonoro e com muitas tripas de fora. Por outro, pretende-se encher a televisão com jovens aspirantes para que Manuela pareça ser sempre genuína e fresca e não perca nunca o lugar que ocupa no coração de todos os portugueses. "O único problema que encontrámos até agora foi a mania que os nossos formandos têm de começar tudo o que fazem com a frase: Boa noite, eu sou Manuela Moura Guedes," explicou a orientadora e benemérita do instituto. "Ainda os temos de convencer a substituir o meu nome pelo deles. É muito embaraçoso, sobretudo para os alunos do sexo masculino," acrescenta. Para os interessados potenciais, a Inépcia informa que ainda existem vagas para as cadeiras de "Teoria da Dicção", "Técnicas de Matrimónio com a Pessoa Certa no Lugar Certo", "Sensacionalismo Baratucho II" e "Filosofia do Baton".
5 de Novembro
Comunicação social desesperada por imagens novas da "guerra"
Um grupo
de personalidades ligadas aos meios de comunicação social portugueses
veio, esta semana, alertar a opinião pública para o facto de
o direito à informação ter sido seriamente abalado pela
escassez cada vez mais notória de imagens da acção militar
anglo-americana no Afeganistão. Rodrigo Guedes de Carvalho, pivot dos
noticiários da SIC, afirmou à Inépcia que "quero
que saibam que, nos últimos tempos, não só a SIC mas
também as outras estações de televisão têm
sido forçadas a repetir as mesmas imagens de bombardeamentos nocturnos,
de afegãos desesperados e de aviões a levantar voo que nos foram
fornecidas pela CNN e pelos grandes canais informativos mundiais." A
situação na rádio e nos jornais não é muito
diferente. Com as dificuldades colocadas à entrada de jornalistas no
Afeganistão controlado pelos taliban, os jornais não têm
outro remédio que não seja a ilustração dos textos
com fotografias já publicadas. Outro problema que se coloca à
imprensa escrita é o facto de, mesmo as fotografias mais recentes e
inéditas, passarem despercebidas aos leitores, visto que, para um ocidental,
um afegão faminto a chorar a destruição da sua casa é
muito difícil de distinguir de outro afegão faminto a chorar
a perda de um familiar. Uma possibilidade que os jornais portugueses consideram
para ultrapassar esta situação seria a utilização
de fotografias de outros conflitos, a guerra civil no Sudão, a luta
entre o exército colombiano e os movimentos de guerrilha ou até
mesmo a intervenção da PSP para serenar os ânimos numa
manifestação contra o encerramento de uma fábrica de
palmilhas em Figueiró dos Vinhos. Deste modo, ainda que não
se cumprisse de maneira rigorosa os preceitos estabelecidos pelo código
deontológico dos jornalistas, o objectivo primordial de tornar a informação
apelativa e vendável seria cumprido.
Quanto à rádio, a situação não é
tão grave mas teme-se que o público se aperceba de que a cobertura
radiofónica da "guerra" não passa de uma repetição
das revelações bombásticas feitas na televisão
mas com a desvantagem de não terem imagem.
Fátima Campos Ferreira lança livro sobre os males do Islão
A popular apresentadora de noticiário, Fátima Campos Ferreira (ex-Fátima Matos Lima), apresentou, recentemente, o seu último livro: "Para melhor compreender porque os muçulmanos são maus e devem ser eliminados da face da Terra." Trata-se de um trabalho exemplar que resulta de uma investigação aprofundada de vários minutos e que contou com a colaboração do colega de secretária de Fátima que a ajudou a perceber que o processador de texto se abria "carregando naquele dâbliu azul pequenino" e de uma estagiária que lhe foi buscar a habitual sandes de ovo e o néctar "light" de maçã. "Acho que os portugueses precisavam de uma obra de referência deste tipo para melhor compreender os acontecimentos que acontecem a nível mundial e em todo o mundo," afirmou a autora no seu estilo característico a tentar disfarçar a pronúncia do Porto com uma outra pronúncia que ninguém percebe muito bem de onde veio. O livro agora lançado funciona como um complemento indispensável para todos aqueles que queiram interpretar de modo mais correcto a crise mundial por que passamos. Assim, de acordo com a autora, explica-se que "os muçulmanos são maus porque são terroristas e fazem mal às mulheres e são feios, escuros e cheiram mal" acrescentando mais à frente que "existem alguns na Europa que não são tão escuros mas são feios e cheiram mal na mesma, o que prova que o muçulmano, apesar de ser um grandessíssimo dissimulado, nunca consegue esconder a sua verdadeira natureza que é a de ser mau e belhaco." A obra será posta à venda no próximo dia 17 e terá prefácio de George W. Bush, o mentor intelectual de Fátima Campos Ferreira. A Inépcia soube que elementos ligados à editora do livro sugeriram a Fátima que incluísse uma referência às guerras motivadas por interpretações divergentes do cristianismo que assolaram a Europa, às cruzadas movidas pelos cristãos contra os muçulmanos na Idade Média, aos actos terroristas levados a cabo por judeus israelitas contra os palestinianos ou ao interminável conflito entre hindus, sikhs, e muçulmanos no subcontinente indiano para deixar claro que a natureza "violenta" atribuída aos seguidores de Maomé é infundada. Esta sugestão foi ignorada visto que a autora se casou durante apenas uma semana com o septuagenário dono da editora.
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Luís Miguel Militão Guerreiro, o popular e estimado assassino de Fortaleza, que se celebrizou ao negar a autoria moral do homicídio de seis portugueses, assumindo-a imediatamente a seguir e, posteriormente, alegando que não se lembrava de nada, ameaça agora entrar em greve de fome como protesto pela falta de atenção a que tem sido votado pela comunicação social nos últimos tempos. "Não há direito," afirma, "Não me podem fazer uma coisa destas." De facto, desde os acontecimentos do dia 11 de Setembro nos Estados Unidos que a verdadeira maratona informativa dedicada à cobertura das peripécias de Luís Miguel por terras do Brasil foi substituída por outra, ainda mais intensa, dedicada a tudo o que possa ser visto como acto terrorista e, posteriormente, à cobertura da "guerra" entre a aliança anglo-americana e o Afeganistão. Nos últimos dois meses, aproximadamente, os media portugueses e brasileiros têm ignorado, por completo, a questão dos portugueses mortos e enterrados numa praia de Fortaleza, chegando-se a um ponto em que o grande público guarda apenas uma recordação muito vaga acerca deste caso que empolgou multidões. Luís Miguel recusa-se a aceitar a perda de protagonismo e promete voltar a chamar a atenção mediática sobre si mesmo que, para isso, tenha de tomar medidas drásticas. "Vou entrar em greve de fome a partir da próxima semana e só paro quando me vierem fazer uma entrevista aqui à cela." Para além da prometida greve de fome, Luís Miguel já tentou outras formas de chamar a atenção. "Já enviei uma carta com um pó branco suspeito para a Assembleia da República mas parece que ninguém a abriu. O pó branco era só farinha roubada aqui da cozinha da prisão mas ninguém sabia disso," disse.