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Inépcias semanais

30 de Julho

Rui Pena conclui que a compra de novos submarinos vai custar muito dinheiro

O ministro da Defesa, Rui Pena, veio hoje admitir publicamente que a compra de novos submarinos para renovar a frota da Marinha irá custar uma quantia considerável aos contribuintes. "Efectivamente, os novos submarinos que pretendemos comprar a curto ou médio prazo, não poderão ser pagos com uma simples nota de 500 escudos. Muito pelo contrário," afirmou o ministro. Esta conclusão surge após o ministério da Defesa ter encomendado um estudo a uma empresa de auditoria com vista a analisar o impacto desta aquisição na já debilitada economia nacional. O estudo revelou que, visto que os submarinos custarão entre 223 e 328 milhões de contos, dependendo da opção do Governo pelos fabricantes franceses ou alemães, o impacto da compra nos cofres públicos será elevado. "Este Governo não se poupa a esforços para encontrar as melhores soluções de contenção de despesas," disse Rui Pena, "e por isso, consultámos os melhores e mais caros especialistas em contabilidade da Europa que nos asseguram que 223 ou 328 milhões de contos é uma pipa de massa." Com estes novos dados, o ministério prepara-se agora para encomendar um novo estudo que averigue a possibilidade de pagar os submarinos com rolhas de cortiça.

Presidente da República decide ignorar dirigentes madeirenses

Jorge Sampaio preferiu não comentar as afirmações recentes de Alberto João Jardim e Jaime Ramos num comício recente do PSD Madeira que acusavam os dirigentes políticos nacionais de atentarem contra a autonomia e os interesses do arquipélago. "Em casos como estes, é sempre preferível fazer de conta que não se sabe de nada", afirmou Sampaio. Esta atitude do chefe de Estado, normalmente bastante prolífico em palavras, surge após o presidente do governo regional madeirense e o secretário-geral dos sociais-democratas madeirenses terem vomitado os habituais impropérios pseudo-separatistas que não vem ao caso referir. Indo mais além, Sampaio recomenda a todos os portugueses, do continente e das ilhas, que façam de conta que Jardim e os membros da sua quadrilha, pura e simplesmente, não existem. A Inépcia decidiu seguir o conselho do presidente e, devido a isso, este texto acerca da reacção de Jorge Sampaio às declarações de alguém que não existe, não fará sentido.

Israelitas e palestinianos estabelecem uma trégua original

O governo israelita e a autoridade palestiniana anunciaram o estabelecimento de uma trégua de natureza peculiar que irá pôr fim a largos meses de conflitos entre o exército de Israel e jovens revoltosos palestinianos, despoletados pela visita do actual primeiro-ministro, Ariel Sharom, então líder da oposição, às imediações da mesquita de Al-Aqsa, um dos lugares santos do Islão, num gesto manifesto de desafio aos palestinianos. A trégua agora estabelecida foi descrita pelas duas partes como sendo "original mas eficaz". Assim, tanto israelitas como palestinianos se comprometem a cessar as hostilidades mas sem colocarem um fim às acções violentas, sendo estas a principal causa do impasse que se tem vivido naquela parte do mundo. Deste modo, de agora em diante, todos os incidentes que se verificarem entre palestinianos e militares israelitas, incluindo troca de tiros ou pedras, bombardeios, ataques suicidas e quaisquer outras agressões, serão vistos como mera expressão da agressividade inerente à natureza humana e não como acções violentas. Os mortos e feridos que resultarem destas expressões de agressividade deixarão de ser vítimas e passarão a ser simplesmente indivíduos que sofrem devido ao facto de o ser humano ter defeitos que não consegue ultrapassar, tais como a necessidade de agredir o próximo.

23 de Julho

Povoação do norte revolta-se com a falta de toxicodependentes

Os habitantes da aldeia de Reguinhó, no concelho de Penafiel, vieram para as ruas protestar contra a inexistência de toxicodependência na terra, facto que consideram colocar a aldeia numa posição de inferioridade perante as outras aldeias, vilas e lugares do país. "Não há direito! Se todas as terras aqui à volta têm droga e drogados por que é que Reguinhó não há-de ter, também?" questiona João Anacleto, presidente da ARCR (Associação Recreativa e Cultural do Reguinhó).
Na opinião da esmagadora maioria dos reguinhenses, a toxicodependência traria cobertura mediática à terra, visto que os incidentes relacionados com a droga são cobertos pelas estações de televisão com bastante frequência, o que ajudaria à divulgação do nome de Reguinhó e à possível vinda de empresários interessados em investir no desenvolvimento da terra.
Reguinhó é uma aldeia com cerca de 240 habitantes, verificando-se que a maior parte se dedica à agricultura e pastorícia. Os poucos que se dedicam a outras actividades têm de se deslocar a Penafiel, visto que não existem quaisquer indústrias ou comércio na terra. A toxicodependência traria novas oportunidades de negócio, nomeadamente, farmácias, oficinas de fabrico e calibração de seringas artesanais, venda de limões, colheres e isqueiros.
Os reguinhenses mostram-se dispostos a acolher toxicodependentes provenientes de outras aldeias, onde não sejam bem-vindos, contando para isso com a colaboração da administração pública para coordenar a sua transferência. No caso de a sua proposta não ser satisfeita, ouve-se já falar na criação de uma milícia popular que vá raptar toxicodependentes a outras povoações pela calada da noite e os traga para Reguinhó mesmo contra a sua vontade.
A direcção da ARCR, organização que se encarrega dos melhoramentos na povoação, já está a planear a construção de um parque de estacionamento para permitir a ocupação de tempos livres dos toxicodependentes, apesar de as viaturas da aldeia se limitarem a uma carrinha a gasóleo, três tractores, um carro de bois e 17 motorizadas sonoras e fumarentas de marca Zundapp e Macal.

Direcção do Benfica continua a perder elementos

Depois da demissão recente de Luís Nazaré, presidente do concelho fiscal dos encarnados, a direcção do Benfica corre o risco de perder o vice-presidente do mesmo órgão, João Carvalho.
Manuel Vilarinho já veio desdramatizar, afirmando que "não é o facto de os membros da minha direcção andarem a desaparecer que nos vai impedir de levar o Benfica aos seus objectivos que são...", e desaparecendo subitamente perante os olhares incrédulos dos jornalistas presentes.
Até agora, não existe explicação para este estranho fenómeno mas os especialistas contactados, nomeadamente, Florbela Queirós e a astróloga Maya, consideram que se tratará de algo com origem num plano astral mais elevado.
Os elementos da direcção que ainda não desapareceram já manifestaram alguma preocupação e não hesitam em apontar o dedo a um suspeito. "Não me admirava nada que isto fosse obra de um certo senhor que já foi presidente deste clube e que, neste momento, está em prisão domiciliária," afirmou o vice-presidente Tinoco Faria.
A Inépcia tentou obter comentários a esta acusação da parte do visado, João Vale e Azevedo, mas o ex-presidente benfiquista escusou-se a comentar visto que se encontrava ocupado a amontoar caixotes junto ao muro da sua propriedade, enquanto a esposa atava lençóis uns aos outros.
Entretanto, já se verificaram outros desaparecimentos. João Malheiro, do gabinete de comunicação do clube, foi substituído na sua cadeira por uma rã verde durante uma conferência de imprensa, enquanto que o secretário da assembleia geral, Fialho Gouveia foi atirado para dentro duma carrinha com a inscrição "Fratelli-Restaurante Italiano" por quatro indivíduos de fato preto e óculos escuros, enquanto passeava na rua em frente a sua casa.
Por enquanto, a equipa de futebol parece não ter sido afectada psicologicamente pelo desaparecimento de elementos da direcção. Questionado acerca do impacto que a falta de uma direcção possa vir a ter no desempenho dos jogadores, o treinador Toni encolheu os ombros, coçou a cabeça e riu-se, sendo acompanhado por um coro de gargalhadas dos jogadores que se encontravam por perto.

Grupo de continentais exige independência da Madeira

Um movimento espontâneo de residentes em diversos pontos do território continental iniciou um processo de recolha de assinaturas a nível nacional com o objectivo de exigir à Assembleia da República que seja concedida a independência ao arquipélago da Madeira, mesmo que isso vá contra a vontade dos madeirenses.
"Estamos fartos! Quase trinta anos a aturar isto! Já é altura de parar. A paciência tem limites," afirmou Adérito Pimpão, da plataforma "Madeira independente já", o nome genérico desta acção.
De acordo com este e outros activistas, o motivo por trás desta iniciativa insólita está relacionado com a personalidade belicosa do presidente do governo regional da região autónoma da Madeira, Alberto João Jardim, e com as atitudes publicamente assumidas por si e pelos seus sequazes de desafio constante à autoridade das instituições nacionais e de ofensa grosseira aos habitantes de Portugal continental.
Assim, fartos de aturar barbaridades de uma quadrilha de malfeitores democraticamente eleita que se escondem com frequência atrás da ameaça da independência, a plataforma "Madeira independente já" pretende que o Estado português conceda a independência àquele território de forma unilateral, o que é inédito na história do mundo, visto que nunca até hoje um país deu a independência a uma parcela do seu território contra a vontade dos habitantes do mesmo.
No caso de a iniciativa ser bem sucedida, o país prepara-se para uma nova era sem Alberto João e o Fundo Monetário Internacional terá de se preparar para sustentar uma verdadeira república das bananas (ou talvez estejamos enganados; ao que dizem, a prostituição, o jogo e a banca off-shore dão bom dinheiro).

15 de Julho

Governo reconhece que o país é corrupto

O Governo admitiu que existe corrupção em Portugal, após divulgação dos resultados do relatório da ONU sobre o desenvolvimento humano que aponta o nosso país como o mais corrupto da União Europeia (a Itália não foi tida em consideração nesta análise, visto que, naquele país, a corrupção deixou há muito de ser algo reprovável para passar a ser uma tradição histórico-cultural). O ministro da Justiça, António Costa, afirmou que "agora que tomámos conhecimento da existência de corrupção a este nível tão significativo em Portugal, não pouparemos esforços para a combater. Se não o fizemos ainda foi porque desconhecíamos as situações que a ONU analizou." Uma outra fonte governamental contactada pela Inépcia e que pediu o anonimato declarou desconhecer por completo a existência de corrupção no país e mostrou-se chocado com os dados apresentados pelo relatório da ONU. "Custa-me a acreditar... mas isso ajuda a explicar os cheques que estão contantemente a trocar de mãos aqui no ministério. Por falar nisso, tenho uns para ir depositar," afirmou. Entretanto, o primeiro-ministro, António Guterres, prometeu uma série de inquéritos rigorosos com vista a averiguar se existe corrupção na administração pública e garantiu que "os eventuais culpados serão punidos de maneira exemplar." Este inquérito terá início logo que os peritos em inquéritos do Governo voltem de uma acção de formação a decorrer, simultaneamente, na República Dominicana, em Ibiza e nas Maldivas.

Colômbia decidida a levar Copa América até ao fim

A Colômbia, país organizador da Copa América deste ano, competição disputada entre selecções da América do Sul com seleções da América do Norte e Central como convidadas, não dá sinais de hesitação na sua vontade de levar o evento até ao fim. Nos últimos tempos, têm-se sucedidos os atentados perpetrados um pouco por todo o país e reinvidicados pelas várias organizações terroristas colombianas com o objectivo de fragilizar a credibilidade internacional do governo. Este clima de insegurança já levou à desistência de duas equipas, a Argentina e o Canadá, e à recusa de Mauro Silva, jogador brasileiro, em integrar a selecção do Brasil presente na competição. Com o aumento da violência, as desistências poderão multiplicar-se. A Inépcia sabe que os jogadores e equipa técnica da selecção das Honduras, convidada à última hora para substituir a Argentina, contraíram uma gripe misteriosa e estão todos de cama, impossibilitados de se deslocar. Outros acontecimentos do género têm causado dissabores à organização da Copa América de 2001. A selecção nacional da Bolívia voltou para casa com o pretexto de terem ido ver se tinham deixado alguma torneira aberta, enquanto que os jogadores do Uruguai voltaram para casa, devido ao abandono da Argentina. Segundo um porta-voz da equipa uruguaia: "temos de voltar para Montevideu, para ver se os nossos vizinhos argentinos não estão a preparar alguma." Os dirigentes da Conmebol, organização que tutela o futebol sul-americano, desdramatizam e garantem não haver perigo pois a situação está sob controlo das autoridades colombianas. Aproveitaram ainda o momento para pedir desculpa por não poderem estar presentes em nenhum dos jogos da competição, visto que "não têm nada de jeito para vestir." De acordo com as últimas notícias e com todas as substituições de última hora, as equipas participantes na Copa América serão: a Colômbia, a Venezuela, as Ilhas Fiji, os bombeiros voluntários de Medellin, uma selecção dos melhores talentos futebolísticos da família Ochoa de Cartagena, um colectivo de deficientes visuais de uma instituição de Bogotá, uma rã e a Costa Rica. Todos os desafios serão arbitrados por uma espécie indígena de papagaio.

Cristina Caras Lindas apresenta o seu primeiro livro

A popular apresentadora de televisão e doença venérea em part-time, Cristina Caras Lindas, acaba de lançar o seu primeiro livro, colocando-se, assim, ao nível de outros nomes grandes da literatura como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Luísa Castel Branco e Tino Covilhão. A obra intitula-se "Sandálias de Prata" e, na opinião da autora, "é um romance em que uma mulher arrisca a vida à procura de salvar o homem que ama da maldição que uma amante do seu avô havia rogado a todos os seus descendentes. Só mais tarde, quase em estado de loucura, descobre verdades assustadoras sobre aquele homem e a sua família pretensiosa e decadente. Todos com fortes ligações às forças ocultas. Ela julga encontrar uma paixão eterna e descobre um fraco príncipe azul com pés de barro, um mentiroso compulsivo que esconde nos bolsos do casaco que usa a patologia de que sofre: a do vendedor de sonhos e oportunista. Este romance é um verdadeiro labirinto de emoção, uma fonte de medos e mentiras. São necessários anos para ela recuperar o esplendor, o brilho, a lucidez que lhe permite descobrir algo terrível, mas ao mesmo tempo apaziguador. Algo que remete este homem ao mais desprezível. Ela vive obcecada durante toda a história por uma verdade e descobre-a, descobrindo também o mundo da reencarnação e tudo o que tinha sido noutras vidas. Um romance para ler e viver. A vitória do bem. A descoberta da luz no meio das trevas. Um livro onde se enfrentam fascínios e medos, onde se vive no território da fantasia, numa enfeitiçada viagem ao mundo dos anseios, espantos e encantos da alma. Há, neste livro, uma constante carga nostálgica que nos empurra para o oculto e para as forças superiores." Com uma descrição destas, será, sem dúvida, um sério candidato aos prémios "Monte de Bosta Literária Pretensiosa e Cheia de Frases Feitas 2001." "Sandálias de Prata" foi editado por Zita Seabra que, assim, após ter trocado o PCP pelo PSD, junta ao seu curriculum mais este valioso elemento.

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