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Margarida Rebelo Pinto intimada pelo Tribunal

A escritora Margarida
Rebelo Pinto foi intimada pelo tribunal da comarca de Cascais a alterar a sua
escrita sob pena de multa ou prisão até 6 anos.
A justiça foi chamada à atenção após queixa
feita por uma leitora dos seus escritos, Sandra Pires, uma contabilista de 31
anos, a quem foi diagnosticado um cancro do bom gosto já em fase terminal.
De acordo com o seu médico, a doença de Sandra terá sido
provocada pela exposição à prosa da escritora.
O juíz não hesitou em aplicar a sentença por considerar
estarem mais que provadas as acusações contra Margarida Rebelo
Pinto e nem precisou de ouvir o depoimento da ré, talvez por receio das
consequências que isso poderia ter nas psiques do próprio juíz,
dos advogados, do júri e de todos os que assistiram ao julgamento.
Assim, Rebelo Pinto está proibida de usar qualquer tipo de adjectivo
nos seus textos, bem como de usar citações.
Com estas medidas, pretende-se evitar que voltem a acontecer coisas como esta:
"Basta um raio de sol a cruzar os céus para metamorfosear os ânimos lusos e arregaçar as mangas para retirar dos céus os parcos fios de luz que o universo nos envia. Pode ser que seja desta que tenha finalmente terminado o inferno do nosso descontentamento. É quando os céus se voltam a pintar de azul cobalto que a vida se agita e as almas semi hibernadas desatam a emergir do nada e partem em busca de novas aventuras. "
Ou esta:
"Devia existir um manual de instruções para acabar relações. A verdade é que sabemos sempre começá-las, agarramo-nos aos inícios com a sabedoria dos mágicos, operamos transformações milagrosas em nós próprios e no objecto do nosso amor, de repente tudo nos é fácil e grato, sentimo-nos com asas como albatrozes, nas nossas costas cresce uma capa encarnada e carregamos no peito o símbolo do Super Homem, tudo é divino e santo visto assim, o mundo não é um mundo é um jardim, como diz Florbela Espanca."
Ao que a Inépcia apurou, a justiça portuguesa prepara-se para mover processos semelhantes contra o escritor Pedro Paixão, proibindo-o de voltar a publicar contos de três linhas, e contra o realizador Leonel Vieira (Zona J, A Sombra dos Abutres, Mustang), recomendando o suicídio.
NOTA:-O autor deste texto
não conhece pessoalmente Margarida Rebelo Pinto (cujas crónicas
podem ser lidas aqui),
logo não é um ex-namorado ressentido das muitas referências
à natureza traiçoeira do género masculino nos seus trabalhos.