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Máfia fornece cadáveres a faculdades de medicina
As faculdades de medicina portuguesas estão sob fortes suspeitas de recorrerem a fontes pouco legítimas para a obtenção de cadáveres destinados à investigação científica e formação de novos médicos. A denúncia partiu de um estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Álvaro Castro, de 25 anos, que afirma ter sido ameaçado de morte e dissecação após ter escrito um artigo para um jornal universitário em que relatava esta situação que afirma ser do conhecimento geral no meio académico.
"Primeiro, comecei a sentir que alguém me seguia quando andava sozinho na rua, sobretudo à noite, depois foram os telefonemas anónimos e os papéis que me metiam na caixa do correio e finalmente, vieram as tentativas de homicídio a que consegui escapar a grande custo," afirma Álvaro.
Segundo nos relata, o pesadelo começou quando foi impedido de assistir a uma aula de anatomia a que tinha chegado atrasado, depois de o professor o ter avisado que tais atrasos, que confessa serem bastantes frequentes, não deviam tornar a repetir-se. Para se vingar, levou a história da obtenção ilícita de cadáveres ao grande público. Álvaro, cábula confesso, começou então a ser verdadeiramente aterrorizado por dois indivíduos de aspecto suspeito que a Inépcia apurou tratarem-se de Luigi e Dino Vercotti, visto que os dois se encontravam alguns metros atrás de Álvaro quando o entrevistámos, dissimulando a sua presença de maneira patética por trás de um jornal com quatro olhos recortados à altura da fotografia que ilustrava o atropelamento de Judite de Sousa por um gnu quando fazia a cobertura jornalística da migração anual das andorinhas para as grandes planícies africanas.

Luigi e Dino Vercotti são dois mafiosos notórios com um longo cadastro que remonta ao final da década de 60 quando participaram como personagens coadjuvantes no programa da BBC: "Monty Python's Flying Circus." Apesar de negarem a sua identidade quando confrontados pelo repórter, apesar do sotaque siciliano óbvio, da camisola do Palermo Calcio que um deles trazia vestida, e do crachá com os dizeres "Io amo la cosa nostra" na lapela do casaco de outro, foram forçados a admitir após o mais velho dos irmãos, Luigi, ter respondido sim, involuntariamente, à pergunta: "Vocês são Luigi e Dino Vercotti, mafiosos notórios?"
Questionados sobre o seu eventual envolvimento no fornecimento de cadáveres à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, os dois irmãos responderam alternadamente "sim", "não", "sim" outra vez, decidindo-se, finalmente, por um "não sabemos de nada" pouco esclarecedor.
O responsável pela cadeira de anatomia do curso, dr. Raimundo Fragoso, negou quaisquer ligações a actividades ilícitas, apesar de admitir ser extremamente difícil conseguir arranjar cadáveres para o ensino. "Aqueles que optam por doar o seu corpo à ciência em vida são muito poucos e até os cadáveres de indigentes costumam ser reclamados por um ou outro familiar distante. Isto para não falar nos cadáveres que são facultados às instituições de ensino mas que acabam a dar aulas de filosofia medieval como professores assistentes," disse Raimundo Fragoso.
No entanto, a Inépcia verificou nos registos da faculdade que, dos 50 cadáveres recebidos este ano, dez vezes mais do que no ano anterior, 47 faleceram vítimas de disparos aplicados na nuca, dois por estrangulamento e um por afogamento após ter colocado os pés em cimento e saltado para o Mondego. "As pessoas, hoje em dia, suicidam-se das maneiras mais estranhas," foi o único comentário que conseguimos do dr. Fragoso. Quanto aos irmãos Vercotti, são veementes na negação de qualquer tipo de envolvimento directo ou indirecto no fornecimento de cadáveres à faculdade. "Não temos nada a ver com esses presuntos. Se estão mortos é porque mereciam, porca miseria! E também não temos nada a ver com aquele casino ilegal na rua da Sé, nº 14, cave," afirmou Dino antes de ser violentamente agredido na cabeça com um jornal enrolado pelo irmão.

Álvaro Castro, o homem na origem da polémica, mantém as suas afirmações e acrescenta que "não é uma coisa que se limite apenas à Faculdade de Medicina de Coimbra. Se forem ver às outras escolas, vão encontrar o mesmo tipo de prática," disse. O caso já se encontra sob investigação da Polícia Judiciária de Coimbra que facultou vigilância 24 horas por dia a Álvaro, ao abrigo do programa de protecção de testemunhas, facultada pela empresa de segurança "Vercotti & Vercotti Lda".

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