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Dossier
Qual o sector profissional com maior concentração de estupidez?

Sempre na vanguarda da informação
internética nacional e sem perder de vista uma preocupação
verdadeiramente sincera com a prestação de um serviço público,
a Inépcia colocou no terreno uma equipa de profissionais sérios,
competentes e dedicados que não olharam a quaisquer tipos de despesas
económicas ou até físicas para chegar ao cerne de uma questão
que há muito vem apoquentando os portugueses. Afinal, qual é o
sector profissional onde se concentram os índices mais elevados de estupidez
no nosso país?
Após longa reflexão, conseguimos limitar as hipóteses aos
quatro sectores seguintes. A ordem pela qual serão apresentados é
perfeitamente aleatória.
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1 Publicidade:-Há
quem considere que os médicos são os profissionais mais úteis
à comunidade. Outros apontarão os polícias, os bombeiros,
os ventríloquos ou até mesmo os domadores de leões
em vez dos discípulos de Hipócrates. No entanto, se reflectirmos
com afinco, facilmente verificaremos que a sociedade moderna não
seria nada sem o contributo imprescindível dos publicitários.
Imagine um dia sem publicidade. Seria mais ou menos assim: de manhã, o rádio acorda-o com música (sem um único anúncio pretensamente cómico e particularmente irritante). Arranca-se da cama a custo e arrasta-se até à casa-de-banho onde trata da sua higiene pessoal com cosméticos sem marca. Depois do banho com shampoo sem vitaminas e de lavar os dentes com uma pasta esbranquiçada sem flúor, riscas ou corantes coloridos, ou seja, sem piada absolutamente nenhuma, corre para a cozinha e emborca um iogurte sem bifidus activo e uma torrada, feita com pão da padaria da esquina, barrada com manteiga sem suplementos de cálcio. Sai de casa e dirige-se para a paragem de autocarro mais próxima onde tem de ler um livro até chegar o das 8 e meia porque não tem a paragem forrada com cartazes publicitários para se entreter. Ou seja, um inferno. Ficando provado que a publicidade é imprescindível ao ser humano, há outra hipótese a ser considerada. E se não existisse um número tão grande de publicitários estúpidos como, felizmente, existe? E se as campanhas publicitárias fossem racionais e úteis e se limitassem a informar-nos acerca das qualidades dos vários produtos? O que seria de nós sem os slogans idiotas, os spots imbecis, os jingles irritantes e os logotipos pindéricos que nos impingem? Voltemo-nos na direcção de Meca e façamos uma oração de agradecimento ao criador por ter dotado estes profissionais de uma capacidade cerebral tão reduzida. |
| 2 Televisão:-Outra hipótese bastante provável. Olhe-se para o que os profissionais deste sector nos põem nos écrans de televisão. Histórias lacrimejantes acerca de famílias problemáticas com filhos que são desenhos animados. Dramalhões com amores desencontrados e produção de queijo de ovelha à mistura. Peripécias rocambolescas e extremamente originais envolvendo gémeas separadas à nascença e que vão acabar por se reconciliar num comovente último episódio. Dramatização de anedotas que já os babilónios contavam (tinham ouvido os sumérios a contá-las aos acádicos, alguns séculos antes) que já só fazem rir pessoas com paralisia facial. E os actores escolhidos? Ou carinhas bonitas com o talento e a naturalidade de uma azeitona recheada sem o devido recheio ou então carinhas feias com o talento e a naturalidade de uma azeitona recheada sem o devido recheio... e meia. Obviamente, as pessoas responsáveis por tudo isto fizeram um mestrado em Estupidez Aplicada na Faculdade das Ciências Imbecis da Universidade Federal da Energuménia. Algumas, terão até feito o doutoramento e estarão aptas a dar aulas em qualquer estabelecimento de ensino. | ![]() |
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3 Jornalismo:-Valerá a pena dizer alguma coisa acerca deste país das maravilhas da mediocridade intelectual? Onde os coelhinhos brancos saltitam de acidente de viação em tragédia na ponte sempre sem perder de vista os ponteiros do relógio que lembram o fecho da edição ou a aproximação do noticiário da noite e com os pequenos narizes palpitantes prontos a detectar as mais microscópicas partículas de escândalo, sofrimento ou "gore" puro e simples e com as orelhas sempre esticadas para que não escape discurso ambíguo, relato contraditório ou declaração vazia de sentido. Onde as rainhas dos quatro naipes se deliciam em cortar as cabeças de ministros que não pagaram a sisa, de presidentes da câmara que receberam luvas, de futebolistas que andaram a dormir com quem não deviam para a seguir os coroar e sentar a seu lado. Onde o Tweedle Dee do sensacionalismo baratucho e o Tweedle Dum da ignorância boçal se degladiam a fingir numa luta sem desfecho à vista. E onde a tartaruga a que chamam público se arrasta lenta e exasperantemente até ao caldeirão da sopa das vendas e das audiências. |
4 Construção de páginas na internet:-(Sem comentários)
Deixamos as hipóteses à consideração dos leitores. Não nos cabe tomar uma decisão tão difícil.