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Governo subsidia novos estádios com leilão de monumentos
Os novos estádios para a realização do Europeu de 2004 vão ser financiados com base no leilão de monumentos nacionais das cidades escolhidas para receber os jogos. Esta decisão foi anunciada em conferência de imprensa conjunta pelos ministros do Desporto e das Finanças, José Lello e Joaquim Pina Moura.
"Consideramos que será a forma mais justa de financiar estes projectos sem prejudicar os cidadãos que moram a quilómetros de distância das cidades onde os estádios serão construídos," afirmou Pina Moura. Desta forma, ficará coberta a parcela das despesas que o Estado português se comprometeu a assumir.
Assim, o Governo convida as entidades responsáveis pelas obras, clubes e autarquias, a apresentarem sugestões de monumentos locais que possam ser submetidos a leilão de modo a recolher fundos para finaciar as obras. Posteriormente, realizar-se-ão leilões abertos ao público em que os monumentos serão vendidos à maior licitação.
Ao que apurámos, este anúncio foi recebido de maneira francamente positiva pelas autarquias. O autarca de Leiria, por exemplo, prepara-se para sugerir o leilão do castelo da cidade, enquanto que o seu congénere de Coimbra, fará o mesmo com a torre da universidade, um dos ex-libris da pérola do Mondego. As notícias que vieram a público segundo as quais existiria uma multinacional belga interessada na compra do Portugal dos Pequeninos ainda não foi oficialmente confirmada.
No entanto, alguns problemas se colocam a esta iniciativa única no mundo. Por um lado, nem todos os estádios a construir ou a renovar são propriedade das autarquias. Os clubes envolvidos, nomeadamente, o Benfica, o Sporting, o FC Porto e o Boavista, não têm monumentos nacionais para submeter a leilão e terão de achar alternativas. Manuel Vilarinho, presidente dos encarnados, já anunciou que o seu clube irá propor aos sócios o leilão da águia de bronze e da estátua de Eusébio colocados à entrada do actual estádio da Luz, visto que o actual recinto será demolido e provavelmente não existirá espaço no novo para as esculturas. Visto que a cotação do bronze está em baixa, Manuel Vilarinho propõe ainda o leilão da última taça de campeão nacional conquistada pelo Benfica, uma peça de coleccionador de valor sentimental incalculável. Quanto ao Sporting, leiloará o avançado argentino, Beto Acosta, um verdadeiro monumento histórico pela sua idade, ao passo que o FC Porto leiloará um conjunto de pulseiras da Senhora do Bonfim do tempo do parapsicólogo Delane Vieira. João Loureiro, presidente do campeão nacional Boavista ainda não revelou o que leiloará mas tudo aponta para que seja uma charuteira de prata maciça propriedade do seu pai e predecessor, Valentim Loureiro.
Um outro problema que se coloca é a atitude das câmaras municipais de Braga e Guimarães. Ao que parece, tanto Mesquita Machado como António Magalhães interpretaram mal a proposta do Governo e propuseram para o leilão monumentos nacionais situados fora dos limites dos concelhos a que presidem. Assim, Mesquita Machado terá proposto a venda do paço ducal de Guimarães a uma empresa francesa de pedras ornamentais, enquanto que António Magalhães terá sugerido a venda do santuário do Bom Jesus a uma sociedade anónima espanhola especializada na construção de parques aquáticos. Segundo nos informaram, o santuário reúne as condições ideais para se transformar no maior escorrega aquático da Europa. Um porta-voz do Governo já afirmou que os dois autarcas terão de pôr as rivalidades de lado e comportar-se como gente crescida.
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