Untitled Document

Portugal atingido por surto de febre erudita

O ministério da Agricultura acaba de confirmar as suspeitas de vários meses que indiciavam que uma epidemia de febre erudita teria atingido o país e estaria já muito perto de atingir a totalidade do território nacional.
Capoulas Santos, o ministro da Agricultura, revelou à comunicação social um relatório que dá conta da extensão do surto. De acordo com este documento, a ilha do Corvo, no arquipélago dos Açores, a ilha de Porto Santo, no da Madeira e a cidade do Barreiro, na margem sul do Tejo são as únicas parcelas do território português em que ainda não se manifestou nenhum caso da febre erudita.
A doença, também conhecida como síndroma Anabela Mota Ribeiro, manifestou-se, pela primeira vez no ano de 1968 no norte da Tanzânia quando, subitamente, aldeias inteiras começaram a organizar peças de teatro, espectáculos de ópera e recitais de música clássica.
"É uma doença terrível com efeitos devastadores ao nível da capacidade de raciocínio e do sentido do ridículo", considerou o doutor Almeida da Costa, presidente do Instituto Português de Prevenção da Estupidez Mal-Amanhada.


A apresentadora de televisão, Anabela Mota Ribeiro, foi um dos primeiros casos conhecidos em Portugal da doença a que deu nome. Do dia para a noite, um dos rostos mais conhecidos da nossa televisão passou de uma simples carinha laroca mediática com pouca coisa para dizer ao mundo, para um dos nomes mais sonantes do panorama cultural português. De um momento para o outro, a outrora co-apresentadora da Praça da Alegria ao lado de Manuel Luís Goucha começou a colaborar com revistas ditas de qualidade, assinando colunas, escrevendo artigos e fazendo entrevistas. Em pouco tempo, já tinha um programa de entrevistas com o seu nome num canal noticioso (já falecido) em que mostrava ao mundo como a febre erudita é um mal tremendo.
Na opinião do doutor Almeida da Costa, "já nada há a fazer por essa pobre coitada. Já é coordenadora editorial de uma página de actualidade cultural na internet e, infelizmente, não faltará muito para publicar o seu primeiro livro. Resta-nos rezar para que não seja a biografia de um obscuro poeta irlandês do início do séc. XX."


Até há relativamente pouco tempo, Anabela Mota Ribeiro era um dos poucos casos desta doença em Portugal e acreditava-se que, apesar de se tratar de uma condição extremamente contagiosa, estivesse controlada. Agora que se confirma o surto de febre erudita, as autoridades estão já a ultimar uma campanha de esclarecimento de emergência destinada a informar as pessoas acerca do que devem fazer para evitar o contágio. A brochura que a protecção civil se preparar para lançar, e a que a Inépcia teve acesso, refere os sintomas da doença.

-Tendência para abusar dos advérbios de modo no discurso corrente.
-Tendência obssessiva para traduzir obras literárias do alemão para o francês e vice-versa (em casos mais graves).
-Dependência de prefácios e posfácios.
-Necessidade incontrolável de se estar constantemente a falar dos recitais a que se assistiu, das exposições que se viu e das peças de teatro em cuja estreia se esteve presente.
-Utilização de frases extensas e de significado obscuro (sobretudo para os seus autores).
-Apetites extremos por câmeras de televisão e outras formas de exposição mediática que permitam veicular os conhecimentos recém-adquiridos, mostrando ao mundo que não se é tão medíocre como se parece.
-Necessidade imperiosa de comentar até à exaustão tudo o que acontece.

Se sentir algum destes sintomas ou os observar em alguém que lhe seja próximo, não hesite em contactar o hospital ou centro de saúde mais próximo. Lembramos que a febre erudita não tem cura e o único tratamento existente consiste na administração de filmes de Chuck Norris e Steven Seagal por via nasal.
Como medida preventiva, a União Europeia já proibiu a importação de literatura, música, cinema e artes plásticas portuguesas, tendo recebido a total solidariedade do Governo português.

VOLTAR